Playoffs: análise das finais de conferência

Posted: 21/01/2012 in 49ers, Giants, NFL, Patriots, Ravens

A NFL está a dois passos de conhecer os protagonistas do Super Bowl XLVI. Neste domingo, as quatro equipes que sobreviveram dos playoffs entram em campo pelas finais de conferência da liga. Na AFC, o New England Patriots recebe o Baltimore Ravens em Foxborough, enquanto na NFC, o San Francisco encara o New York Giants pela segunda vez na temporada, desta vez tendo a Califórnia de cenário. Veja a análise dos dois confrontos abaixo:

FINAL DA AFC

NEW ENGLAND PATRIOTS x BALTIMORE RAVENS
Data: 22 de janeiro / Horário: 18h (Brasília), transmissão da ESPN
Estádio: Gillette Stadium, em Foxborough
Último confronto: Vitória dos Patriots (23 a 20) em 2010

O jogo: O que era para ser uma batalha de provocações dias antes do confronto virou uma troca de elogios entre técnicos, defensores e quarterbacks. Para Tom Brady, Baltimore tem alguns dos melhores jogadores da história em suas posições. Para Ray Lewis, o marido de Gisele Bündchen entende todas as defesas. As declarações polêmicas ficaram por conta de Ed Reed. No entanto, ele criticou a linha ofensiva e Joe Flacco – quase um “fogo amigo”. O incêndio foi apagado, mas vale a pena observar como o ataque se comporta no domingo, principalmente Flacco. A equipe venceu e eliminou os Texans dos playoffs? Sim, só que parece ser unânime a impressão de que o resultado seria outro se o quarterback Matt Schaub estivesse em campo.

Por mais que Flacco tenha ido aos playoffs em todas as temporadas que jogou, ele ainda não mostrou a consistência necessária que dá confiança ao time, especialmente quando se joga contra alguém do calibre de Brady. O camisa 5 pode encontrar mais espaços contra a defesa dos Patriots, que é inferior à dos Texans, mas precisa se lembrar que do outro lado do campo, não há um T.J. Yates em seu primeiro ano na NFL. E se Baltimore acompanhou a vitória do New England sobre Denver, sabe que o perigo é muito maior.

No último confronto entre as duas equipes em playoffs, em janeiro de 2010, os Ravens venceram com uma combinação daquilo que fazem de melhor: defesa e corridas. Para se ter uma ideia, Flacco conectou quatro passes 34 jardas e lançou uma interceptação. Sua atuação pífia foi compensada por Ray Rice e suas 159 jardas terrestres, e pelos quatro turnovers forçados pela defesa. Brady não conseguiu passar das 155 jardas aéreas. Se o quarterback do Baltimore não se impor na partida, vamos ver um grande duelo de ataque contra defesa, basicamente. Corrigindo, de um ótimo ataque contra uma excelente defesa.

New England vence se: Proteger Tom Brady, evitar turnovers e segurar o ataque terrestre dos Ravens, apesar da defesa dos Patriots ser apenas a 20ª melhor neste quesito. New England vem de uma apresentação de gala diante dos Broncos e se não entregar a bola de graça, se pontuar sempre que o camisa 12 tiver a oportunidade, não será fácil para Baltimore sair vencedor de Foxborough – a julgar pelo o que o time apresentou para chegar até aqui. Apesar do ataque aéreo dos Ravens não ser tão assustador, Flacco vai encontrar mais buracos na secundária do que no domingo passado, a defesa não pode ficar preparada apenas contra corridas.

Baltimore vence se: Estabelecer o jogo corrido com Ray Rice e Ricky Williams, não ignorar o passe, pressionar Tom Brady a partida inteira, e Baltimore tem jogadores para isso, e dar um jeito de parar a dupla de tight ends Gronkowski e Hernandez, sem deixar de prestar atenção em Wes Welker. Os Patriots sabem explorar recepções no meio do campo como ninguém, então a tarefa de marcar não cabe só aos defensive backs, mas também aos linebackers, leia-se Ray Lewis e Terrell Suggs. No mundo ideal dos Ravens, a ideia seria tirar a coleira de Suggs e soltá-lo em cima de Brady, só que não dá para fazer isso em toda jogada. Neste caso, existe Haloti Ngata. Joe Flacco comentou alguns dias atrás que os méritos nas vitórias do Baltimore vão sempre para a defesa e raramente para o ataque. É hora de provar que os jornalistas estão errados, Flacco boy.

Curiosidades: Se New England avançar para o Super Bowl, Brady tem a chance de se consolidar ainda mais entre os grandes quarterbacks na história da NFL, justamente na casa de um dos seus maiores adversários: Peyton Manning. Se Baltimore for o finalista, a equipe volta para a cidade que “roubou” seu time em 1984, ano em que o Baltimore Colts foi relocado para Indianápolis.

Palpite: New England

FINAL DA NFC

SAN FRANCISCO 49ERS x NEW YORK GIANTS
Data: 22 de janeiro / Horário: 21h30 (Brasília), transmissão da ESPN
Estádio: Candlestick Park, em San Francisco
Último confronto: Vitória dos 49ers (27 a 20) em 2011

O jogo: Os dois times vêm embalados de grandes vitórias sobre equipes que eram consideradas como as favoritas para disputar o título da NFC. San Francisco eliminou o New Orleans Saints na partida mais emocionante até aqui e na sua estreia nos playoffs, Alex Smith encarou o duelo com Drew Brees, vencendo a queda de braço com duas campanhas sensacionais no último quarto. New York não deixou por menos e eliminou o Green Bay Packers, time de melhor campanha na temporada, com autoridade e em pleno Lambeau Field.

Para este domingo, será interessante observar como os Giants vão se preparar contra o que até então parecia ser improvável: o ataque aéreo do San Francisco. Do outro lado da moeda, Smith pode encontrar mais dificuldades durante o jogo se a defesa adversária for capaz de anular Vernon Davis – há outros bons recebedores no time, mas nenhum com a capacidade de mudar a cara da partida como o camisa 85.

Outro ponto que será importante é o fato do Giants ser capaz de pressionar o quarterback adversário sem ajuda da secundária, de forma a apressar Smith sem deixar os recebedores livres. Por falar em secundária, os defensive backs do San Francisco foram ótimos contra New Orleans e a última coias que eles querem é ver Victor Cruz ou Hakeem Nicks dançando na endzone. É mais um duelo para ser observado.

No último encontro entre 49ers e Giants, ocorrido em novembro, New York conseguiu parar o ataque terrestre do rival e mesmo com duas interceptações de Manning, por muito pouco não saiu do MetLife Stadium com a vitória. Não há dúvidas de que os Giants tiraram algumas lições dessa derrota. San Francisco também deve ter tirado lições, visto que não foram conter os recebedores adversários e foi mal no aproveitamento dentro da redzone. Se Jim Harbaugh e Tom Coughlin fizeram os deveres de casa, a promessa para este domingo é de espetáculo.

San Francisco vence se: Fizer um ótimo trabalho na secundária, tomando cuidado com as rotas em profundidade e reduzindo as opções de Manning, estabelecer o jogo corrido para controlar o relógio e se a defesa forçar turnovers, o ataque souber aproveitá-los. É final de conferência, então quanto antes os 49ers conseguirem “matar” o jogo, melhor. San Francisco deve priorizar a corrida e recorrer ao passe quando necessário. A defesa tem todas as peças para pressionar o camisa 10 e limitar os running backs a poucas jardas, com Aldon Smith, Justin Smith, Ahmad Brooks, Patrick Willis e NaVorro Bowman. É na secundária onde mora o perigo. Carlos Rogers está na melhor temporada de sua carreira, mas vai precisar da inspiração de Tarell Brown e dos safeties para segurar a salsa de Cruz e companhia.

New York vence se: Manning distribuir os passes para Cruz, Nicks, Manningham e até para Bradshaw, confundindo a marcação da defesa, pressionar Smith no pocket e sempre que enviar uma blitz para cima do camisa 11, tomar cuidado com lançamentos rápidos, principalmente os que vão na direção de Davis. A linha ofensiva vai desempenhar um papel fundamental também, segurando os defensive ends e linebackers dos 49ers. San Francisco tem um jogo muito físico, New York terá que fazer frente a isso e tem tudo para fazer, o time cresceu na hora certa – assim como fez na temporada de 2007. E vocês lembram como eles terminaram aquela temporada? Com o troféu Vince Lombardi nas mãos.

Curiosidades: Se San Francisco passar dos Giants, pode se dizer que Jim Harbaugh “joga em casa”, visto que atuou como quarterback dos Colts entre 1994 e 1997 – apesar do Lucas Oil Stadium ainda não existir. Se New York disputar o Super Bowl, Eli Manning pode ser bicampeão no estádio onde seu irmão, Peyton, manda os jogos. A partida também coloca frente a frente a 1ª escolha do Draft de 2004, Eli, contra a 1ª escolha do Draft de 2005, Alex.

Palpite: New York

* Texto que escrevi para o ExtraTime

Anúncios
Comentários
  1. Bonato diz:

    Análise muito bem feita. Matéria compacta, objetiva e digna de fãs de NFL. Parabéns. Os palpites acertados na mosca, exceto pela excelente atuação da defesa dos Patriots, que ninguém previa…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s