Pela primeira vez na história da NFL, os playoffs de divisão vão ter quatro quarterbacks que foram MVPs (jogador mais valioso) em finais de Super Bowl. No sábado, Drew Brees e Tom Brady entram em campo. No domingo, é a vez de Aaron Rodgers enfrentar Eli Manning no Lambeau Field. Veja abaixo todos os confrontos do final de semana e as análises de cada partida:
PARTIDAS DE SÁBADO
NFC: SAN FRANCISCO 49ERS x NEW ORLEANS SAINTS
Data: 14 de janeiro / Horário: 19h30 (Brasília), transmissão da ESPN
Estádio: Candlestick Park, em San Francisco
Último confronto: Vitória dos Saints (25 a 22) em 2010
O jogo: Não é exagero dizer que o duelo entre Saints e 49ers é o mais interessante deste final de semana. A equipe comandada por Drew Brees acumula nove vitórias consecutivas, a melhor sequência atual da NFL, e se quiser chegar com força máxima para a final da NFC, nada melhor do que passar pela forte defesa do San Francisco, a melhor da liga contra o jogo corrido e a terceira em número de interceptações (23).
New Orleans está embalado após a vitória sobre os Lions no último sábado, mas longe do Mercedez-Bens Superdome e de seu teto, a média de pontos cai de 41 para 27, o que é uma ótima notícia para os Niners, donos do Candlestick Park: estádio aberto e de grama natural. Na última vez que as duas equipes se encontraram, em 2010, os Saints venceram com um field goal a dois segundos do fim. Ainda sob a tutela de Mike Singletary, os 49ers fizeram um bom trabalho naquela noite, ao permitir apenas 254 jardas para Brees. A ideia de Jim Harbaugh é repetir o feito.
San Francisco vence se: Segurar os corredores dos Saints, não desperdiçar pontos dentro da redzone e tirar Brees da sua zona de conforto. Com tempo dentro do pocket, é sabido que ele encontra o recebedor que bem quiser – a defesa do Detroit que o diga. San Francisco aposta na recuperação de Patrick Willis, que se junta ao trio Aldon Smith, Justin Smith e NaVorro Bowman na caça ao quarterback. A briga promete ser boa contra a linha ofensiva dos Saints, que tem dois dos melhores guards da NFL. A defesa é ótima contra o jogo corrido e se conseguir manter o ataque do New Orleans unidimensional, ou seja, baseada apenas no passe, é a chance da secundária aparecer e forçar turnovers. Por fim, o ataque dos 49ers terá que ir além da sua média de 21 pontos – isso não é suficiente para bater os Saints. Frank Gore é a grande arma do San Francisco, mas quem tem a oportunidade de sair como herói no sábado é Alex Smith – é a partida da vida dele.
New Orleans vence se: Proteger Brees da linha de tiro dos 49ers e conter o jogo corrido de Gore e Kendall Hunter, de forma que Smith fique pressionado dentro do pocket. O coordenador defensivo dos Saints não usa muito as blitzes para cima do quarterback rival, porém, como Smith não é um jogador que lança passes longos, surpreendendo a defesa – ao contrário de Stafford, eventuais sacks podem significar um caminho mais curto para a vitória. Tudo indica que desta vez os running backs tenham mais dificuldades para estabelecer o jogo corrido, o que só aumenta a importância da proteção a Brees.
Palpite: San Francisco
AFC: NEW ENGLAND PATRIOTS x DENVER BRONCOS
Data: 14 de janeiro / Horário: 23h (Brasília), transmissão da ESPN
Estádio: Gillette Stadium, em Foxborough
Último confronto: Vitória dos Patriots (41 a 23) em 2011
O jogo: Tim Tebow fez o que ninguém esperava no último domingo, muito menos Troy Polamalu e companhia: lançou mais do que correu com a bola e garantiu a vitória nos playoffs. New England não tem a mesma defesa do Pittsburgh, mas viu de camarote o que aconteceu com os Steelers e teve uma semana para se preparar e evitar uma nova zebra, desta vez em Foxborough.
Os Patriots não têm um jogo corrido consistente, o que pode fazer com que a defesa do Denver tente sacar Tom Brady a qualquer custo, no entanto, é bom lembrar que o quarterback que os Broncos enfrentam neste sábado não está com a mobilidade comprometida como Roethlisberger estava. Além disso, Von Miller e seus companheiros têm três motivos para não avançar com tanta sede ao pote: Wes Welker, Aaron Hernandez e Rob Gronkowski. No último encontro entre as equipes, algumas semanas atrás, New England venceu por uma diferença larga, mas o que o placar esconde é que a equipe de Brady cedeu 252 jardas terrestres. Se isso voltar a acontecer e Tebow anotar o mínimo de passes necessários, de preferência sem fumbles, teremos emoções à vista.
New England vence se: Dominar o jogo corrido dos Broncos e forçar turnovers. Tom Brady, que está em ótima fase, é o tipo de jogador que precisa ser pressionado para cometer erros, mas que a qualquer descuido da defesa, encontra recebedores com facilidade. Marcar os tight ends Hernandes e Gronkowski, que juntos somam 169 recepções, 2.237 jardas e 24 touchdowns, será um desafio e tanto para a secundária do Denver – sem esquecer de Wes Welker, claro. Depois das mais de 300 jardas aéreas que Tebow impôs à defesa dos Steelers, é de se esperar que os safeties e cornerbacks dos Patriots não deem bobeira.
Denver vence se: Estabelecer o jogo corrido, Tim Tebow repetir os bons lançamentos do último domingo e se a defesa for capaz de segurar o ataque dos Patriots, principalmente quando ele chega na forma dos tight ends. Os Broncos podem responder com seus wide receivers, boa parte dos fãs da NFL viram do que eles são capazes quando a bola chega neles, mas não contam mais com o fator “surpresa”. Apesar da grande vitória contra os Steelers, Denver segue como o azarão da história.
Palpite: New England
PARTIDAS DE DOMINGO
AFC: BALTIMORE RAVENS x HOUSTON TEXANS
Data: 15 de janeiro / Horário: 16h (Brasília), transmissão da ESPN
Estádio: M&T Bank Stadium, em Baltimore
Último confronto: Vitória dos Ravens (29 a 14) em 2011
O jogo: Confronto de duas ótimas defesas, a segunda melhor contra a terceira, e dois grandes running backs, Arian Foster contra Ray Rice. Podemos esperar um jogo muito disputado nas trincheiras, com ambos os times tentando abrir caminhos por meio das corridas. Baltimore leva vantagem por jogar em casa e apesar do quarterback Joe Flacco não ter feito uma grande temporada, ele é o único jogador da posição a ter ido para os playoffs nos quatro primeiros anos como profissional – experiência muito superior a do calouro T.J. Yates.
Na última vez que as equipes se encontraram, Matt Schaub ainda era o titular, mas como o wide receiver Andre Johnson se contundiu durante a partida, a defesa dos Ravens pode se concentrar em Foster, que terminou o jogo com apenas 49 jardas terrestres. Baltimore segurou o ataque dos Texans e não permitiu nenhum ponto do rival nos últimos 21 minutos – a estratégia utilizada em outubro vai valer neste domingo.
Baltimore vence se: Limitar Foster e Ben Tate a poucas jardas, o que inevitavelmente coloca pressão em Yates, e estabelecer o jogo corrido com Ray Rice. Andre Johnson voltou de contusão e embora ainda não seja o mesmo wide receiver de anos anteriores, a secundária dos Ravens precisa ficar atenta, porque se existe um jogador que pode mudar o curso do jogo, além do próprio Foster, é o camisa 80 – basta a bola chegar nele. Flacco não precisa de longos passes ou touchdowns incríveis, o fundamental é que ele cuide da bola e evite turnovers.
Houston vence se: Correr a bola com sucesso, tirar a pressão dos ombros de Yates e protegê-lo dentro do pocket na hora do passe. A defesa, que faz um ótimo trabalho até aqui, terá que segurar Ray Rice e forçar turnovers para dar ao ataque uma chance de vencer. Se o jogo corrido não funcionar, e essa possibilidade existe quando se enfrenta os Ravens, o jogo fica nas mãos de Yates – ele vai precisar completar mais passes do que está acostumado.
Palpite: Baltimore
NFC: GREEN BAY PACKERS x NEW YORK GIANTS
Data: 15 de janeiro / Horário: 19h30 (Brasília), transmissão da ESPN
Estádio: Lambeau Field, em Wisconsin
Último confronto: Vitória dos Packers (38 a 35) em 2011
O jogo: O ataque dos Packers é 100% focado no talento e no ótimo momento que vive Aaron Rodgers. Sem a presença de um bom ataque terrestre, as jogadas do Green Bay seriam, em tese, previsíveis, mas diante das opções que Rodgers tem em seu grupo de recebedores, um dos melhores da NFL, é normal que as defesas tenham muitas dificuldades – menos a do Kansas City Chiefs. Se não puder contar com Aaron Ross, o New York Giants tem um belo problema pela frente na defesa. No ataque, os Blues têm talento e competência para fazer frente aos atuais campeões do Super Bowl.
Green Bay vence se: Rodgers tiver o mínimo de tempo necessário dentro do pocket e a defesa marcar o jogo corrido dos Giants, além de encontrar alguma maneira de parar Victor Cruz – Charles Woodson não quer saber de dança de salsa na sua endzone. O fato de Green Bay não possuir running backs consistentes não têm sido um fator determinante – a equipe vence sem isso, então é provável que o ataque continue focado nos passes. Se o camisa 12 fizer uma partida sem erros, os Packers dão um passo rumo à final da NFC.
New York vence se: Mantiver o ataque marcando pontos, estabelecer o jogo corrido e deixar Rodgers fora de ação pelo maior tempo possível. Apoiado na dupla Brandon Jacobs e Ahmad Bradshaw, New York correu para 172 jardas no domingo passado e se repetir a boa atuação, deixa Eli Manning menos pressionado para soltar o braço nos passes para Victor Cruz. A defesa vai pressionar Rodgers, ainda mais se tiver Osi Umenyiora, Justin Tuck e Jason Pierre-Paul saudável, mas é uma blitz descuidada que Rodgers antecipa o lançamento para encontrar Greg Jennings ou Donald Driver sob marcação individual. Os Giants vão sentir a ausência de Ross, mas a equipe mostrou durante a temporada que é capaz de acompanhar o ritmo dos Packers.
Palpite: Green Bay
* Texto que escrevi para o ExtraTime